
O esgotamento sanitário envolve tanto as estruturas quanto os serviços necessários para coletar, transportar (até uma ETE – Estação de Tratamento de Esgoto), tratar e devolver de forma adequada o esgoto ao meio ambiente. Assim, o esgotamento sanitário se subdivide em dois serviços: a coleta e o tratamento de esgoto. O que significa dizer que nem todo esgoto que é coletado recebe tratamento antes de ser lançado em corpos hídricos.
Por essa razão essa componente do saneamento básico é um tema de grande preocupação no país, já que mais da metade da população não possui acesso aos serviços de coleta de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil essa parcela equivale 53%. E quando consideramos os serviços de tratamento de esgoto, a situação se complica ainda mais, pois dos 53% da população que tem o esgoto coletado, apenas 54% tem o esgoto tratado.
Essa insuficiência de atendimento gera impactos perniciosos para a saúde humana e para o meio ambiente. A saúde humana é ameaçada por doenças causadas pela exposição ao esgoto a céu aberto, fossas rudimentares e também pelo consumo de água não tratada. O meio ambiente é posto em xeque pelo alto grau de poluição e contaminação de rios, córregos, lagoas, lençóis freáticos e demais corpos hídricos em todo o país.
Como vimos, a coleta e o tratamento de esgoto são fatores fundamentais para um planejamento urbano que considere a constituição de cidades sustentáveis do ponto de vista socioambiental. Nesse contexto, as ETEs – Estações de Tratamento de Esgoto são estruturas fundamentais para garantir cidades mais sustentáveis.
O caminho para o tratamento de esgoto se inicia com a coleta do mesmo em residências, comércio e indústria, através de redes coletoras, seguindo para as ETEs, onde receberá o tratamento adequado antes de ser lançado ao meio ambiente. É importante ressaltar que há ETEs onde é realizado apenas o tratamento primário do esgoto, ETEs em que são feitos tanto o tratamento primário quanto o secundário, e ETEs que além desses tratamentos também realiza o tratamento terciário do esgoto.
O tratamento primário de esgoto corresponde à remoção de sólidos em suspensão sedimentável, sólidos flutuantes e reduzida parcela de matéria orgânica. Enquanto que o tratamento secundário, por remover grande parcela de matéria orgânica e em alguns casos também parcelas de nutrientes como nitrogênio e fósforo, é mais eficaz. Já o tratamento terciário remove de forma complementar matéria orgânica, nutrientes e poluentes, realizando, assim, a desinfecção dos esgotos tratados. Considerando a conservação dos recursos hídricos para usos futuros, é recomendável que as ETEs e por isso mais recomendada para o tratamento adequado e manutenção dos corpos hídricos.




